Casa Branca, a busca da Paz
Nós, brasileiros, não temos motivo para ter qualquer simpatia por Donald Trump, que tem adotado uma política de confronto com o Brasil, impondo taxas impagáveis, cuja consequência não é outra senão atingir empresas brasileiras e até mesmo algumas americanas aqui instaladas, que participam do desenvolvimento nacional.
Duzentos anos de nossas relações diplomáticas mostram a solidariedade do Brasil aos Estados Unidos, cujo ponto mais alto foi a nossa participação em duas guerras mundiais ao seu lado, juntando o nosso sangue ao sangue norte-americano na defesa da democracia e contra a tirania.
Outro dia escrevi sobre o quanto era alarmante para a humanidade essa confrontação de hoje, em que, no lugar da Alemanha, temos a Rússia e os americanos fazendo o jogo da disputa com ameaças nucleares, o que significaria liquidar com a nossa Terra.
Tive a oportunidade de ressaltar o quanto de preocupação eu sinto toda vez que surgem ameaças de uso de armas nucleares com seus vetores, tendo como exemplo os foguetes intercontinentais e a busca de posições estratégicas de ambas as potências.
Hoje venho enfatizar que foi muito positivo o esforço do Presidente dos EUA, Donald Trump, e dos representantes dos países europeus — Alexander Stubb, Presidente da Finlândia; Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia; Keir Starmer, Primeiro-Ministro do Reino Unido; Emmanuel Macron, Presidente da França; Giorgia Meloni, Primeira-Ministra da Itália; Friedrich Merz, Chanceler da Alemanha; Ursula Van Der Lyen, Presidente da Comissão Europeia e Mark Rutte, Secretário-Geral da OTAN —, que se reuniram na Casa Branca, em Washington, para discutir a paz na Ucrânia, pois todos consideram uma ameaça à paz no mundo a guerra nesse país, porque, inevitavelmente, a tendência seria estendê-la a toda Europa, e da Europa ao mundo inteiro, resultando em uma terceira guerra mundial. Fica pendente o problema de anexação do Donbas, desejada pelos russos.
Lembremos que a Segunda Guerra Mundial começou seu último ponto explosivo quando a Alemanha invadiu a Polônia, com a reação imediata de França e Reino Unido (Inglaterra) e, mais tarde, de outros países, Bélgica e Holanda, formando os Aliados; depois, após o ataque japonês, receberam a adesão dos Estados Unidos, estendendo a aliança ao mundo inteiro, inclusive com a declaração de guerra às potências do Eixo.
Devemos recordar que, naquela época, o Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, Neville Chamberlain, tentara de todas as maneiras evitar a guerra, inclusive cedendo a pautas quase inegociáveis, como a revisão do Tratado de Versalhes, que a Alemanha contestava como opressivo, pois estabelecia o pagamento de indenizações de guerra consideradas extorsivas, o não rearmamento e muitas outras medidas que realmente sufocavam a restauração daquele país; pior, concordaram com a invasão e anexação dos Sudetos, parte da Tchecoslováquia que os alemães diziam ser historicamente parte de seu território. Isso não impediu que Hitler reconstruísse um poderoso exército com equipamentos ultramodernos que espantaram o mundo, como as divisões Panzer, e, posteriormente, invadisse a Polônia, culminando no início da Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939.
Hoje a situação tem alguma semelhança com aquela, pois as motivações da Rússia são as mesmas da antiga Alemanha de Hitler: ameaças à sua segurança interna. A História sempre se repete com outras roupagens, mas, no fundo, são invocadas as mesmas motivações.
É nesse clima e com essa visão do passado, do presente e do que pode ser um futuro é que podemos olhar de maneira positiva o gesto do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando, em um processo de diplomacia muito difícil e trabalhoso, consegue reunir países europeus e a OTAN, justamente apreensivos com a Guerra da Ucrânia, e com eles estabelecer passos para encontrar-se a paz no continente, já que, em Israel, a obsessão do Netanyahu mantém essa guerra infernal que revolta o mundo inteiro, em que até a fome é usada como arma de guerra.
O slogan adotado na reunião entre Trump e Putin, no Alasca — Pursuing Peace: Buscando a Paz —, já dizia que não se tratava de coisa fácil, pois implicava uma busca daquilo que é tão difícil: a Paz. Paz que não somente seja a ausência de guerra, mas também a aspiração milenar de um entendimento fraterno e pacífico entre os homens, uma convivência baseada nos ideais dos direitos humanos e no respeito à liberdade e à soberania de todos os países.
Portanto, devemos apoiar gestos dessa natureza e desejar que eles prossigam com determinação e idealismo e que sejam eficazes não só para o presente, como também para assegurar aquilo que Kant pregava: uma Paz Duradoura. Esse é o significado da atuação da Casa Branca.
Fonte: https://www.academia.org.br/artigos/casa-branca-busca-da-paz
