Literatura

Exposição “Grande Sertão” chega à ABL

Exposição “Grande Sertão” chega à ABL

A Academia Brasileira de Letras recebe a exposição “Grande Sertão” para comemorar os 70 anos de lançamento da obra-prima do imortal da ABL João Guimarães Rosa, “Grande sertão: veredas”. A abertura da mostra, na qual a artista visual Graça Craidy retrata os principais personagens do romance surgido em 1956, será na terça-feira dia 31 às 17h, e ficará até 29 de maio.

“Em tempos de pressa virótica, atenção fracionada e estupor digital, Grande sertão completa 70 anos mais vivo – e necessário – que nunca. Poesia ou prosa? Erudito ou popular? Culto ou chulo? Fiel ou fabular? Sério ou lúdico? Jorro ou cálculo? No épico sertanejo de Guimarães Rosa, os opostos não se opõem. Como na vida, misturam-se”. Assim escreveu o Acadêmico Eduardo Giannetti, titular da cadeira 2, que já pertenceu a Guimarães Rosa.

Graça Craidy apresenta 17 quadros e um tríptico, em acrílica sobre tela e sobre papel. Nas obras, os principais personagens do livro ganham feições físicas inspiradas pela narrativa, inclusive levando em conta a personalidade e o comportamento traçados pelo autor. Entre os personagens retratados estão, por exemplo, Riobaldo, Diadorim, Joca Ramiro, Hermógenes, Zé Bebelo, Manuelzão, Otacília, Nhorinhá, Sô Candelário, Os Ramiros, Medeiros Vaz.

O próprio Guimarães Rosa (1908/1967), mineiro de Cordisburgo, aparece, em uma das pinturas, embrenhando-se no Cerrado, a cavalo, junto com vaqueiros - a excursão de fato aconteceu, na fase em que o escritor coletava informações para escrever a obra.

Natural de Ijuí (RS) e radicada em Porto Alegre, Graça, de 74 anos, não só é uma leitora constante do romance como fez um curso – “Travessia” - sobre o livro, debatido durante meses com a professora da USP Maria Cecilia Marks, especialista na obra literária. A artista gaúcha também pesquisou em teses, monografias e ensaios sobre a ficção e assistiu algumas vezes ao monólogo “Riobaldo”, protagonizado pelo ator carioca Gilson de Barros, com direção de Amir Haddad.

“Me sinto muito honrada por expor na ABL. Agradeço à Academia por acolher outra linguagem artística na homenagem a uma obra literária marcante e ao seu grande autor”, diz a artista.

“Espero que os visitantes se encantem com a história em quadros do meu ‘Grande Sertão’ particular, expressionista, apaixonado, de cores turvas, ternas e terrosas. Em cada personagem, cena, gesto, o meu gentil convite para despertar nas pessoas o desejo de ler esse monumental romance”, acrescenta ela.

“Experiência transpsíquica”

O livro, escrito por Rosa quando morava na Rua Francisco Otaviano, 33, ap. 501, em Copacabana, teve seus originais entregues à editora José Olympio em fevereiro de 1956. Em carta a seu colega de Itamaraty Azeredo da Silveira, o escritor e diplomata relatou

“Passei três dias e duas noites trabalhando sem interrupção, sem dormir, sem tirar a roupa, sem ver cama: foi uma verdadeira experiência transpsíquica, estranha, sei lá, eu me sentia um espírito sem corpo, pairando, levitando, desencarnado – só lucidez e angústia. Passei dois anos num túnel, um subterrâneo, só escrevendo, só escrevendo, escrevendo eternamente”.

O romance chegou às livrarias em meados de julho daquele ano. Aclamado pela crítica, foi escolhido como o melhor livro de 1956, venceu o Prêmio Machado de Assis do Instituto Nacional do Livro, o prêmio Carmen Dolores Barbosa, o prêmio Paula Brito e, em junho de 1961, o Prêmio Machado de Assis da ABL pelo conjunto da obra. “Grande sertão: veredas” constou da lista dos "100 melhores livros de todos os tempos" organizada, em 2002, pelo Clube do Livro da Noruega (Norwegian Book Club). Destacou-se principalmente por suas inovações linguísticas.

Fonte: https://www.academia.org.br/noticias/exposicao-grande-sertao-chega-abl